A série Ms. Marvel estava fadada à contradição desde o início. Não só pelo fato da personagem ter tido seus poderes alterados na adaptação, mas também pelo fato da sociedade estar mais polarizada do que nunca. Entretanto, a protagonista Kamala Khan mostra o que há de melhor no mundo dos super-heróis e na nossa sociedade.

Apesar dos poderes terem origens e aparência diferente, não há nada que torne a personagem inferior ou superior à sua contraparte dos quadrinhos. Em Ms. Marvel, a protagonista continua sendo entusiasmada por heróis, especialmente pela Capitã Marvel, tem um amor imenso pela família e nunca deixa de ajudar as pessoas.

Pôster de divulgação de Ms. Marvel | Review Ms. Marvel

A minissérie tem sim seus defeitos, não há dúvida, mas não é o desastre que muitos espectadores afirmam ser. Inclusive, segundo os dados do site Rotten Tomatoes, Ms. Marvel é a melhor produção do Marvel Studios, com 98% de aprovação. Para mim, Ms. Marvel era o que a Marvel e o cinema precisavam, pois, mesmo que tenha sido lançado em um tempo de saturação dos super heróis, resgata perfeitamente o glamour e a beleza do gênero.

A essência de Ms. Marvel

Na era da internet, as discussões têm se tornado muito bilaterais, independente do assunto, e com a série Ms. Marvel não foi diferente. Por conta das mudanças de poderes, muitos fãs passaram a atacar o seriado justamente pelo fato de ter feito adaptações. Não há Inumanos no MCU, e introduzi-los de última hora para justificar os poderes de Kamala não parece coerente.

Apesar das mudanças, algo que sempre haverá em adaptações cinematográficas, a essência continua lá. A Kamala Khan de Iman Vellani é uma fã de carteirinha dos outros grandes heróis, cria histórias sobre seus ídolos na internet, tem conflitos familiares, vivencia as alegrias e frustrações da adolescência e aprende a ser sua própria super-heroína.

Apesar de diferenças mínimas, a essência de Ms. Marvel é mantida | Review Ms. Marvel

Tudo que define a personagem como ela é nas HQs está presente na série Ms. Marvel, e isso é lindo. A melhor parte é que não só os fãs irão se deliciar com a jornada de Kamala, mas aqueles que nunca leram também vão. A minissérie não só é uma história de origem de herói emocionante (e muito fofa), mas também é a história de uma adolescente crescendo e se descobrindo.

Visualmente, Ms. Marvel consegue ser única e instigante também, criando o desejo de ver ainda mais disso. No entanto, é preciso dizer que nos episódios 4 e 5 isso desaparece, mas volta com toda força no capítulo final. Em aspectos de emoção, até mesmo em seus episódios mais fracos, a série consegue emocionar das melhores maneiras. Acredito que aqui seja o melhor lugar para dizer que fiquei com lágrimas nos olhos assistindo a todos os episódios.

O poder das relações

Outro grande acerto que devemos destacar em Ms. Marvel são as relações construídas, sendo a principal delas a relação de Kamala e sua mãe Muneeba (Zenobia Shroff). Ambas passam boa parte do seriado discordando e discutindo, porque Muneeba tenta ao máximo proteger a filha dos males do mundo enquanto Kamala só quer explorar e se divertir.

Assim como no mundo real, Kamala e a mãe demoram bastante tempo para compreender o ponto de vista uma da outra e os medos que as consomem. Para elas foi preciso uma viagem ao Paquistão para poderem se reconectar e reforçarem o amor que têm uma pela outra.

A família é um dos aspectos mais importante de Ms. Marvel | Review Ms. Marvel

Outras relações que funcionam bem na série, apesar de terem menos tempo de tela, são as relações de Kamala com o pai e com os amigos. Yusuf (Mohan Kapoor), o pai, está sempre procurando estabelecer um meio-termo entre a filha e a esposa, embora sempre penda para o lado de Kamala. Durante certas cenas de desenvolvimento da protagonista, Yusuf está sempre lá para dar o apoio que a menina precisa para se tornar a sua melhor versão possível.

Já entre os amigos, Bruno (Matt Lintz) recebe mais destaque, servindo de “cara da cadeira” e confidente para a nossa super-heroína. A relação dos dois é bastante orgânica e divertida, nos dando aquele gostinho de “quero mais”. Até mesmo a amizade pouco explorada com Nakia (Yasmeen Fletcher) mostra-se bastante genuína, algo que acredito que poderia ser melhor explorada em próximas temporadas.

Pequenos deslizes

Como mencionado anteriormente, os episódios 4 e 5 são os mais fracos. Boa parte da série traz estéticas e visuais vibrantes com uma vibe adolescente, lembrando até traços de quadrinhos em certos momentos. No entanto, após a metade da temporada, Kamala viaja para o Paquistão para entender melhor suas origens e a do bracelete e toda essa estética desaparece.

Os vilões são esquecíveis e descartáveis | Review Ms. Marvel

Apesar da viagem ser muito importante para a personagem, há uma quebra de ritmo violenta na série. Nos capítulos anteriores, a trama se desenrolava rapidamente, mas ainda entregando uma história coesa, bonita e divertida. No entanto, isso some subitamente, passando a apresentar novos personagens e conceitos sobre os poderes de modo mais vagaroso, o que chega a parecer outra série.

Outro ponto em que a série Ms. Marvel também desliza são seus antagonistas, os Clandestinos. É de praxe que toda produção da Marvel tenha um vilão para o herói enfrentar e aqui não é diferente. No entanto, única função deles é explicar para Kamala quais as origens dos poderes dela, algo feito de maneira bem entediante.

A melhor personagem do MCU

É ousado dizer isso, mas Kamala Khan já pode ser considerada a melhor personagem do MCU. A série foi certeira em resgatar a beleza dos super-heróis em meio a um mercado já está bastante saturado do gênero. Todos os anos, exceto em 2020, tivemos conteúdos deste gênero nos cinemas e na TV e, com isso, o grande público já está buscando outros conteúdos para consumir.

Imagem de divulgação de Ms. Marvel | Review Ms. Marvel

No entanto, ao misturar a história de origem da personagem com uma trama adolescente, novos públicos têm a chance de adentrar no universo. Ver Kamala se tornando uma super-heroína ao mesmo tempo que ainda lida com problemas de adolescente, como o novo crush da escola ou ir à festa que todo mundo da sala vai, desperta uma nostalgia agridoce no coração e nos envolve cada vez mais no crescimento da personagem.

Com isso, espero que eu tenha deixado claro que, apesar de suas imperfeições, a minissérie traz uma história e mensagem quase perfeitas. Inclusive, essa história é a base perfeita para o crescimento de uma das personagens mais promissoras da Marvel.

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