Veja, eu sou de uma era em que o mês de junho era praticamente o meu Natal. Como um entusiasta de jogos, nada era mais empolgante do que uma semana de E3.
As três grandes—Sony, Microsoft e Nintendo—mostravam suas novidades, e ainda contávamos com a presença das principais publishers do mercado, como EA, Ubisoft, Square Enix e Bethesda, que geralmente traziam seu melhor consigo.

Quem não se lembra do anúncio de Resident Evil 7 – Biohazard durante a conferência da Sony? Ou de quando Todd Howard nos fez acreditar que Fallout 76 era uma boa ideia e, sem se dar por satisfeito, revelou ainda Starfield e The Elder Scrolls 6 de uma só vez? Ou de quando Phil Spencer anunciou a retrocompatibilidade para os consoles Xbox One?
O que quero dizer é que a semana da E3 era sinônimo de empolgação. Infelizmente, devido à incompetência impressionante da ESA (Entertainment Software Association) — a organização responsável pelo evento — a E3 foi oficialmente enterrada em 2023.
Um evento paumolecente
Mesmo já existindo quando morria o maior evento de games da história, o Summer of Gaming de Geoff Keighley parecia, desde sua concepção em 2020, ter como missão ser o substituto espiritual da E3. No entanto, após acompanhar o Summer of Gaming durante esses quatro anos, vejo-me na frustrante e completamente inútil posição de desabafar.
Deixe-me ser claro: gosto de Geoff e acredito que ele tenha as melhores intenções com seu Summer of Gaming, e realmente penso que não há pessoa melhor para coordenar um evento que tenha o calibre de uma E3.

Keighley já provou ser capaz de gerar empolgação, como demonstrado em seu The Game Awards. Contudo, parece que Geoff ainda não compreendeu completamente o papel que seu Summer of Gaming deveria desempenhar, e infelizmente, o evento de 2024 apenas confirmou meus receios.
Sei que não se pode jogar toda a culpa no Geoff, pois ele é apenas diretamente responsável pela conferência do próprio Summer of Gaming, o Summer Games Fest.
No entanto, cabe a ele persuadir as grandes editoras a participarem deste evento, criando uma espécie de “Temporada de Anúncios do Summer of Gaming”. No entanto, muitas dessas empresas simplesmente não parecem aderir à ideia.
Uma luz verde no fim do túnel
A ausência da Nintendo e uma Sony que achou que uma piada em forma de State of Play era o suficiente após mais de um ano sem um showcase digno, são apenas exemplos da falta de adesão das publishers ao Summer of Gaming.
Além disso, neste ano, as empresas preferiram usar o espaço do Xbox Games Showcase para mostrar suas novidades em vez de uma conferência própria ou mesmo do espaço do Summer Games Fest, o que é, no mínimo, preocupante.

Square Enix anunciou Life is Strange: Double Exposure na conferência da Microsoft, EA apresentou Dragon Age: The Veilguard também no palco verde e Ubisoft achou mais conveniente lançar seu trailer de gameplay de Assassin’s Creed: Shadows ali também.
O sentimento que fica é que Xbox parece ser a única que ainda entende o que esse momento deveria ser. Afinal, 2024 é apenas mais um ano onde a salvadora foi a plataforma verde, que tem feito consistentemente ótimas conferências, tendo provavelmente a melhor de sua história este ano.
Mais uma vez, Ubisoft me impõe uma tortura
O mesmo não se pode dizer da Ubisoft, cujo Ubisoft Forward foi, mais uma vez, um verdadeiro suplício de se acompanhar. Excetuando-se o novo Assassin’s Creed e Star Wars Outlaws, que tiveram sim ótimas apresentações.
O restante do Ubisoft Forward consistiu de anúncios de DLCs, atualizações e uma re-revelação de Prince of Persia: Sands of Time Remake, sendo este último tão lamentável que o termo “patético” parece insuficiente para descrevê-lo.

Eu sei que o remake em questão passou por um reboot interno, mas nada vai me fazer crer que a única coisa que havia pra se mostrar desse game após 4 anos desde seu anúncio era uma vela.
Geoff, me ajuda a te ajudar
Por fim, temos o Summer Games Fest, que novamente parece não entender ritmo nem o que o público busca ao assistir uma conferência desse tipo.
Entendo que Keighley queira dar espaço a todos os criadores, e realmente valorizo essa iniciativa nobre. Contudo, se ele pensa que sobrecarregar seus eventos com jogos independentes vai convencer o público a prestar atenção nesses projetos, ele está enganado, como mostram claramente as reações ao evento deste ano.

Sejamos sinceros: o grande público assiste uma conferência de jogos esperando ver grandes franquias e estúdios populares. Não estou dizendo que isso seja tudo o que um evento desses deve oferecer, mas é necessário encontrar o equilíbrio certo.
Quer chamar a atenção para um jogo indie? Então intercale com o trailer de um jogo AAA. No Xbox Games Showcase, por exemplo, entre a apresentação de Perfect Dark e Fable, jogos encantadores como Winter Burrow e Mixtape foram mostrados, sendo este último, para muitos, o grande destaque da conferência impressionante da Microsoft.
Que saudades da minha Ex
Sinceramente, eu não sei exatamente o que quero expressar com este artigo. Como mencionei no início, isto é mais um desabafo de alguém que sente falta do que era, para ele, o momento mais feliz do ano.
De alguém que passava horas assistindo pessoas reagindo a anúncios bombásticos de jogos revelados durante uma conferência de E3. De alguém que só pode esperar que, no próximo ano, o Summer of Gaming traga ao menos 2% da alegria que minha ex, a E3, me proporcionava.






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