Na última terça-feira (10), a Sony anunciou o seu console de meio de geração, o PS5 Pro, e as reações na internet foram muito negativas, e com razão. O alto valor de US$ 700 (ou R$ 3.899 na conversão direta) mostrou o quão desconectada dos consumidores está a empresa japonesa.

Os diferenciais da nova máquina são uma GPU mais potente e rápida, ray tracing melhorado e melhorias gráficas através de inteligência artificial. Tudo isso, de acordo com Mark Cerny, irá oferecer ao jogador performances, visuais e taxas de quadro ainda melhores, sendo o “console mais poderoso da Sony”. No entanto, isso é suficiente para justificar um valor tão exorbitante?
Provavelmente, o ideal seria mostrar como a nova máquina poderia proporcionar uma experiência ainda melhor em novos jogos, como Death Stranding 2 ou até Marvel’s Wolverine, mas optaram por mostrar games que muitas pessoas já viram e jogaram. Por que deveríamos nos empolgar com o novo console se tudo que ele tem a oferecer são jogos “antigos” com melhorias mínimas?
E, ao que parece, a promessa de “console mais poderoso” não será cumprida tão cedo. De acordo com a Digital Foundry, organização responsável por análises técnicas de jogos e consoles, o tão esperado GTA 6 deverá rodar a 30 FPS no PS5 Pro devido ao fato da CPU do novo modelo ser a mesma do modelo base. Ou seja, nada de gráficos em 4K e taxas de quadros altíssimas como era esperado.
Prometer muito, possivelmente não entregar tudo isso e ainda cobrar US$ 700 é muito desrespeitoso por parte da Sony (praticamente um tapa na nossa cara), ainda mais considerando o desfavorável cenário econômico atual. No final, o PS5 Pro acaba sendo uma máquina desnecessária com “firulas” que quase ninguém vai aproveitar.
De volta a era PS3
Esse anúncio lembra muito o anúncio do PS3 em 2006, que foi marcado pelo alto valor de US$ 600 e pela famosa frase “você terá que ter dois empregos para adquirir o PS3”. Parece que voltamos àquela época, pois a Sony está vivendo um momento muito semelhante.

A geração do PS4 foi uma vitória para a empresa, marcada por boas decisões de negócios, excelentes lançamentos de jogos exclusivos e as péssimas escolhas feitas pela Microsoft no início da geração. O PS5 ainda surfou um pouco nessa maré de sucesso com o lançamento de God of War Ragnarok e Marvel’s Spider-Man 2, mas isso tem mudado com a falta de exclusivos, o foco em jogos live-service e o anúncio do PS5 Pro.
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Em 2006, a situação não era tão diferente. A geração de PS2 tinha sido um grande sucesso, sendo um dos consoles mais vendidos da história, e ainda contava com grandes títulos, como Shadow of the Colossus e God of War 2. No entanto, o sucesso subiu muito à cabeça e, no seu ápice de arrogância, a Sony decidiu vender o PS3 a um preço absurdo acreditando que não teria como falhar.
Mas, como bem sabemos, a falha não podia ter sido maior e a geração acabou sendo dominada pelo Xbox 360 e Nintendo Wii, fazendo com que a Sony corresse atrás do prejuízo que ela mesma provocou. E agora, quase 20 anos depois, a empresa terá que reavaliar suas estratégias para cair nas graças do público novamente. É como dizem: “Quanto maiores eles são, maior é a queda”.






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