Sabia que Ghost of Tsushima está completando cinco anos em 2025? Parece que foi ontem, mas a IP mais recente da Sucker Punch lançou em julho de 2020 e, mesmo depois de tanto tempo, continua sendo a experiência samurai definitiva.

Ainda hoje, o jogo é visualmente deslumbrante e apresenta mecânicas de jogabilidade fluidas, além de uma ambientação que transporta o jogador diretamente para o Japão de 1274. E claro, como é de costume dos jogos de estúdios da Sony, apresenta questionamentos e discussões complexas.

Considerando que 2025 é um ano com dois grandes jogos ambientados em terras japonesas, decidi fazer uma crítica especial no aniversário de cinco anos Ghost of Tsushima, um jogo que nem todos esperavam que fosse fazer o sucesso que fez.

De samurai para lenda

Em Ghost of Tsushima, acompanhamos a jornada de Jin Sakai, um jovem samurai que se depara com a maior missão de sua vida: lutar contra os invasores mongóis (algo que realmente aconteceu em 1274) enquanto se questiona sobre honra e o legado de sua família.

Logo no começo, Jin é gravemente ferido em batalha e é obrigado a ver clãs samurais sendo massacrados pelo exército mongol enquanto seu tio, Lorde Shimura, é feito de refém. Isso faz com que o protagonista questione tudo o que aprendeu ao longo da vida e, assim, passa a adotar atitudes condenáveis para vencer um inimigo brutal.

Imagem de divulgação de Ghost of Tsushima | Review Ghost of Tsushima 5 anos depois

É fato que tais questionamentos sobre honra e legado já foram levantados inúmeras vezes em séries e filmes, mas esse é um assunto de suma importância na cultura japonesa, e a maneira como isso foi retratado dentro da jornada de Jin Sakai arrancou muitos elogios da crítica especializada e do público japonês na época do lançamento.

Mesmo que em certos momentos seja perceptível a falta de profundidade, é visível como Jin lamenta o abandono dos costumes samurais, se tornando mais cético e brutal ao longo da campanha, e acaba abraçando por completo a escuridão de sua nova alcunha: O Fantasma. E essa transformação é muito bem retratada no arco da vila de Yarikawa.

Nisso, é preciso ressaltar o trabalho de atuação do ator Daisuki Tsuji como Jin Sakai. Sua performance é carregada de emoções, conflitos e nuances, o que nos faz simpatizar com Jin rapidamente. Vemos o ápice dessa atuação nas cenas em que divide com Eric Steinberg (Lorde Shimura), onde ambos se opõe de uma maneira poética.

Elenco (apenas) de apoio

Além de Lorde Shimura, Ghost of Tsushima apresenta outras figuras importantes na jornada de Jin na luta pela libertação da ilha. Dentre elas está Yuna (Sumalee Montano), uma ladra que vê no protagonista uma oportunidade de mudar de vida, mas acaba se envolvendo intimamente na luta contra os invasores ao longo da história.

Os aliados podem ser de grande ajuda na batalha final | Review Ghost of Tsushima 5 anos depois

Inclusive, é na convivência com Yuna que Jin percebe as restrições impostas pelo estilo de vida samurai, fazendo com que o protagonista se torne mais receptivo e compreensivo quando se trata da perspectiva e desejos do povo de Tsushima.

Os outros personagens, no entanto, não apresentam a mesma importância na história principal. Durante as primeiras missões principais, conhecemos as personagens de Masako Adachi e Sensei Ishikawa, os quais tiveram suas vidas viradas de cabeça para baixo após a invasão e buscam a ajuda do jogador para resolver a situação.

A questão é que tais “contos”, como são chamadas as missões no jogo, são relegados a missões secundárias com tramas arrastadas e pouco criativas. Claro, é divertido usar todas as habilidades samurai contra os inimigos sempre que possível, mas fica visível a falta de criatividade nessas e em outras missões secundárias após algum tempo.

Visuais e mecânicas

Como mencionado anteriormente, a gameplay do jogo é divertida e cativante, somada a controles simples e responsivos, dando uma sensação de poder no instante em que entramos em combate. E tudo isso brilha ainda mais durante os duelos, onde nós como jogadores temos que colocar em prática todas as técnicas de combate que aprendemos para derrotar um adversário formidável.

Mas não é só isso. Ao longo da jornada, novas mecânicas vão sendo adicionadas ao repertório do jogador – como o gancho, o arco e flecha, a zarabatana e outros –, tornando Jin o homem mais letal de toda Tsushima. Dessa forma, o jogo amplia a quantidade de abordagens que podemos seguir e, com isso, garante a nossa diversão no processo.

Os visuais foram um dos pontos de destaque do jogo | Review Ghost of Tsushima 5 anos depois

Outro aspecto de Ghost of Tsushima que não tem como ser ignorado é a direção de arte. As paisagens naturais e a recriação das vilas e castelos são simplesmente deslumbrantes, o que fez com que milhares de jogadores – inclusive este que vos fala – soltassem o controle para admirar o cenário e/ou capturar o momento através do modo foto.

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Não só a direção de arte e a gameplay foram elogiadas, mas também o cuidado na retratação de fatos históricos, o respeito à cultura e até a acurácia geográfica. O sucesso e repercussão do jogo foram tão notórios que os diretores Nate Fox e Jason Connell se tornaram embaixadores de turismo da ilha de Tsushima em 2021.

“Eles ajudaram a divulgar a história de Tsushima para o mundo de um jeito maravilhoso. Até mesmo japoneses não sabem muito sobre o período Gen-ko. Então, quando se trata sobre o mundo inteiro, o nome de Tsushima é desconhecido. Não conseguimos agradecê-los o suficiente por contar nossa história com gráficos fenomenais e narrativas profundas”, afirmou Hiroki Hitakatsu, prefeito de Nagasaki, em comunicado.

Em momentos como esse, fica claro como a paixão de artistas e desenvolvedores consegue enaltecer culturas diferentes da nossa ao mesmo tempo que proporciona diversão junto de conhecimento. Ghosto of Tsushima é um excelente exemplo do que é o cerne dos videogames.

Portanto, se busca uma nova experiência samurai imersiva, com oportunidades de combate empolgantes e com uma história emocionalmente intensa (embora não tão profunda se comparada às narrativas de Red Dead Redemption 2 e The Last of Us Part II), Ghost of Tsushima é a escolha perfeita.

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