Às vezes nos pegamos pensando em cenários hipotéticos onde nós temos o poder sobre determinada pessoa ou situação, mesmo sabendo que tais cenários nunca se tornarão realidade. Socorro!, novo filme dirigido por Sam Raimi, coloca em tela um desses cenários imaginários: e se seu chefe fosse submisso a você?

Pôster de divulgação de Socorro! | Crítica Socorro!

O filme faz esse exercício colocando Rachel McAdams como uma funcionária devota à empresa tendo que garantir a sua sobrevivência e a de seu chefe (Dylan O’Brien) em uma ilha perigosa e bela.

Terror tropical

Linda (Rachel McAdams) é uma pessoa solitária, apaixonada por realities de sobrevivência e extremamente fiel à empresa. Quando ela está prestes a conseguir a tão almejada promoção, Bradley (Dylan O’Brien) assume o cargo de CEO e destrói o futuro profissional da protagonista.

Para piorar, o novo CEO leva Linda para uma importante viagem de negócios com o intuito de humilha-la e demiti-la, mas uma tempestade danifica os motores do avião e ambos são levados pelas ondas até uma ilha deserta.

Cena do trailer de Socorro! | Crítica Socorro!

Ao se deparar com a situação, no entanto, os protagonistas têm reações distintas: Linda pode finalmente pôr em prática seus conhecimentos de sobrevivência e se libertar das amarras impostas pela sociedade, enquanto que Bradley se vê totalmente vulnerável e, pela primeira vez na vida, é obrigado a aprender como pôr a mão na massa. E é aí que a dinâmica entre eles muda.

Sam Raimi não tem medo de explorar a toxicidade de certos ambientes de trabalho e como isso envenena a realidade dos envolvidos. Os protagonistas estão sempre colocando o outro em risco, forçam situações claramente perigosas, enganam para ganhar vantagem e machucam por um benefício que nunca vem, pois estão lutando contra o inimigo errado.

A partir disso, Raimi pôde explorar um monstro bem diferente do que está habituado: o egoísmo humano. Em Socorro!, não há inimigo maior que as decisões e ações egoístas tomadas por seus protagonistas, e é exatamente isso que persegue e aterroriza tanto os personagens quanto o espectador ao longo do filme.

A beleza em meio ao perigo

Como dito anteriormente, Sam Raimi faz um excelente trabalho na direção e, ao lado dos roteiristas Mark Swift e Damian Shannon, entrega uma história envolvente e divertida, além de perturbadora.

A química entre os personagens é o coração de Socorro! | Crítica Socorro!

Também vale destacar as atuações de Rachel McAdams e Dylan O’Brien. A dinâmica entre os atores é orgânica e divertida, mesmo que antagônica, sempre dando um gostinho de “quero mais” a cada cena.

McAdams, por exemplo, faz um ótimo trabalho ao dar vida às diferentes versões de Linda. A personagem passa de uma funcionária sensível e desajeitada para uma sobrevivente destemida e confiante, e a performance da atriz torna tudo isso prazeroso de acompanhar.

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Já O’Brien consegue encarnar a persona de filhinho mimado que se acha intocável de uma forma que chega a dar nos nervos toda vez que abre a boca, mas também consegue expressar vulnerabilidade ao entrar em contato com a difícil realidade da ilha.

Em suma, o filme faz um excelente estudo de personagem e das dinâmicas tóxicas de maneira única enquanto entrega uma envolvente história de sobrevivência com a dupla mais improvável e nociva do cinema em 2026.

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