Em 2015, a história de Max e Chloe conquistou e emocionou o mundo de uma forma quase que inesperada e, assim, Life Is Strange se tornou uma das franquias mais ímpares e bem-sucedidas da década de 2010.

Hoje, 11 anos depois, tivemos a chance de presenciar o fim dessa franquia com Life Is Strange: Reunion (ou pelo menos é assim que a Square Enix está vendendo este jogo). As protagonistas do título original estão de volta para amarrar as pontas soltas de uma década atrás e do jogo anterior, Life Is Strange: Double Exposure.

É claro que nem tudo no capítulo final da franquia é perfeito, chegando a repetir erros de jogos anteriores, mas a equipe por trás de Reunion mostra que aprendeu com os erros de Double Exposure e entrega aqui uma aventura a altura da saga.

Uma última aventura

Logo de cara, Life Is Strange: Reunion mostra as consequências de seu antecessor: após Max fundir duas realidades paralelas, Chloe decide ir atrás da sua melhor amiga de infância para entender as visões de uma realidade que nunca viveu. Logo em seguida, Max presencia um grande incêndio na Universidade de Caledon, onde agora é professora, e decide voltar no tempo para investigar a origem.

Após essa introdução, o desenrolar da trama desacelera para apresentar os aliados das protagonistas e possíveis suspeitos, além de reintroduzir as mecânicas de retroceder o tempo da Max e de Bate-Boca da Chloe, visto anteriormente em Life Is Strange: Before the Storm. E pasmem, nada de novo é apresentado no tutorial, o que pode tornar o trecho um pouco monótono para os fãs de longa data.

No entanto, o jogo volta a ganhar tração quando Max e Chloe se reúnem, obrigando-as a dividir seu tempo entre investigar Caledon, conversar com personagens novos e conhecidos e discutir a relação, tenham sido elas amigas ou namoradas. Não só isso, mas Chloe ainda precisa investigar suas misteriosas visões ao lado de Moses e entender sua ligação com Safi, que também retorna no jogo.

O incêndio reflete as realidades de Chloe e Max | Crítica Life Is Strange: Reunion

E são nas relações que Reunion mostra a sua força! Apesar de algumas imperfeições no roteiro, a relação de Max e Chloe é bem trabalhada ao longo jogo, das fragilidades e inseguranças de ambas até as qualidades, mostrando como é possível retomar amizades e relacionamentos de maneira saudável e sincera ao enfrentar traumas em conjunto.

Já sobre o mistério do incêndio, a investigação agrada em boa parte do tempo; as conversas e documentos encontrados expõem a corrupção na universidade e como ela afeta professores, alunos e todas as pessoas próximas. Infelizmente, o mistério não se sustenta até o final e traz uma resolução um tanto quanto morna, algo já visto em títulos anteriores da franquia.

Max, Chloe e grande elenco

Desde o primeiro trailer de Life Is Strange: Reunion, ficou óbvio que o foco do jogo são as protagonistas originais, mas isso não significa que os outros personagens não recebam algum destaque.

Loretta retorna determinada a expor os mistérios da Abraxas | Crítica Life Is Strange: Reunion

Dentre o elenco de apoio, Moses é quem brilha mais na trama. Apesar de ter sido adorado pelos fãs em Double Exposure, o personagem não tinha muito o que fazer na história. Agora, Moses tem mais tempo de tela para aperfeiçoar os poderes de Max e estudar as implicações espaço-temporais envolvendo a existência de Chloe.

Não só isso, mas Moses também age como bússola moral para Max em momentos sensíveis mais próximos ao final do jogo. É uma pena, no entanto, que ele seja apenas um suporte tanto para Chloe quanto para Max. Seria interessante saber mais sobre o relacionamento de Moses com o namorado ausente, das opiniões sobre os acontecimentos do jogo e a visão dele sobre a volta da Safi.

E falando nela, Safi age aqui como uma metamorfa evasiva que parece querer atrapalhar Max e expor a corrupção da universidade ao mesmo tempo, criando um antagonismo. Mas quando aparece no caminho de Chloe, Safi parece desesperada para desvendar os mistérios por trás das visões que a conectam com a mulher de cabelo colorido. Tal “esquizofrenia” deixa o arco de personagem dela confuso e reduz o impacto de sua jornada.

Os personagens de suporte são os mais fracos da franquia | Crítica Life Is strange Reunion

Já outros personagens, como Loretta, Vinh, Amanda e Reggie, sofrem pela falta de aprofundamento. Todos têm personalidades distintas e apresentam potencial para mais histórias, mas acabam servindo para avançar a narrativa em momentos pontuais e depois somem.

Beleza nos pequenos detalhes

Os jogos Life Is Strange sempre foram sinônimos de personagens complexos e discussões de temas sensíveis, mas não podemos esquecer a importância da trilha sonora, direção de arte e performances na construção de cada título.

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A trilha sonora, como de costume, combina perfeitamente com cada cena, traduzindo todas as emoções com maestria. A direção de arte também é outro aspecto que não deixa a desejar, apresentando contrastes de cores exuberantes e uma fotografia de tirar o fôlego.

As atuações claramente também não podem ser ignoradas. É visível como todos os atores, não só Hannah Telle (Max) e Rhianna DeVries (Chloe), dão o seu máximo para transmitir as emoções e intenções em cada cena. Independente de roteiros fracos em certos momentos, o elenco se esforça para criar personagens convincentes e reais.

O fim de uma era

Cerca de 11 anos atrás, uma das franquias mais influentes nasceu e, em 2026, vemos o ciclo se fechando. Life Is Strange: Reunion destaca muito bem a importância do fechamento de ciclos e seguir em frente. E não há como negar que a construção desse último capítulo (assim espero) foi feita com o máximo de carinho e esmero, dando uma sensação satisfatória de fim, mesmo com suas imperfeições.

Divulgação – Créditos: Square Enix e Deck Nine | Crítica Life Is Strange: Reunion

E, como o próprio jogo diz, o fim não precisa ser algo triste, mas sim o primeiro passo para seguir em frente na vida. Max e Chloe se despedem aqui, mas as memórias dessa bela (e falha) franquia permanecerão.

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