Os fãs de Life Is Strange esperaram anos por um novo capítulo desta tão amada franquia e, quando foi anunciado que Max Caufield iria protagonizar o novo título, as expectativas do público foram às alturas. Entretanto, todo aquele hype serviu apenas para iludir os fãs, pois Life Is Strange: Double Exposure não chega aos pés dos títulos anteriores.

Pôster de divulgação de Life Is Strange: Double Exposure | Review Life Is Strange: Double Exposure

Apesar dos defeitos de cada título da franquia, todos foram capazes de atingir o público com personagens cativantes e histórias emocionantes. Já o novo Life Is Strange peca gravemente nesses quesitos, e ainda falha em fazer jus à personagem que deu início a tudo isso.

Depois de nove anos, o mínimo que o estúdio Deck Nine tinha que fazer era nos apresentar uma narrativa que homenageasse e respeitasse o jogo original. Entretanto, o novo título é desconjuntado, mal escrito e bastante esquecível.

A falta de Life Is Strange em Double Exposure

Criar um jogo baseado nas escolhas dos jogadores não é uma tarefa fácil, pois é preciso considerar todos os cenários possíveis. O primeiro Life Is Strange lidou bem com as escolhas dos jogadores ao longo dos episódios, mas falhou no episódio final. Apesar da falha, o jogo da Dontnod acabou sendo um grande marco para a indústria e para os gamers por apresentar uma história e personagens cativantes.

Imagem de divulgação de Life Is Strange | Review Life Is Strange: Double Exposure

As sequências e jogos derivados continuaram a impactar e emocionar o público gamer, mesmo se afastando dos eventos ocorridos no primeiro jogo. Ao fazer isso, os desenvolvedores tiveram a liberdade de contar histórias e discutir pautas sociais que nunca poderiam ser abordados com Max e Chloe.

No entanto, apesar de toda a bagagem que a franquia carrega, Life Is Strange: Double Exposure parece ser incapaz de reutilizar os alicerces já estabelecidos em títulos anteriores, trazendo escolhas sem peso, relações vazias entre as personagens e uma gameplay bem tediosa.

Há um momento no game em que o jogador deve escolher entre salvar um personagem ou a si mesmo, entretanto, tal escolha nunca é mencionada novamente. Para piorar, o destino do personagem é “resolvido” via mensagem de texto, deixando evidente a falta de cuidado que os roteiristas tiveram com a própria criação.

As escolhas feitas ao longo do jogo não têm relevância alguma | Review Life Is Strange: Double Exposure

Infelizmente, tais escolhas vazias estão presentes em todo o jogo, prejudicando a experiência por completo. A impressão que fica ao final de Double Exposure é que ninguém sabia que história contar e, então, decidiram juntar de qualquer jeito os gêneros de mistério, romance e ficção científica para ver qual público conseguiriam atingir.

Personagens e relações bidimensionais

Um dos pontos fortes de Life Is Strange são seus personagens e suas relações e, com o retorno da Max, esperava-se uma jornada impactante e cativante sobre amadurecimento e resolução de traumas, independente de qual foi a escolha final no primeiro Life Is Strange. Porém, como já mencionado, os roteiristas parecem não ter ideia do que fazer com a grande protagonista da franquia.

Ao invés de se aprofundar na psique de Max e explorar os efeitos do estresse pós-traumático, o jogo reduz a protagonista a uma caricatura de si mesma: piadas de tiozão em excesso, nenhuma noção investigativa e um senso de responsabilidade incoerente. E sobre o passado, Max diz apenas que viajou muito e terminou com a Chloe. Isso deve ser o ápice de reposta mais preguiçosa e insatisfatória que já vi.

O retorno de Max é desperdiçado em história sem carisma | Review Life Is Strange: Double Exposure

Além da péssima representação da Max, Life Is Strange: Double Exposure falha em apresentar uma amizade convincente entre a protagonista e Safi. Veja, o primeiro capítulo até constrói de forma decente essa relação, mas isso se perde com a morte de Safi e, nos capítulos seguintes, Max busca a ajuda de todo mundo, menos da Safi do universo paralelo.

Para dizer que não foi esquecida no churrasco, Safi é trazida de volta para história de última hora (em um plot twist bem ruim, devo destacar) para resolver suas questões. Mas que questões são essas? O jogo nunca se deu o trabalho de abordá-las antes e muito menos as resolve no final do game. E isso inclui o assassinato da Safi.

Apesar de ser o cerne do jogo, a amizade entre Max e Safi não convence em momento algum | Review Life Is Strange: Double Exposure

Os personagens secundários também recebem um tratamento tão ruim quanto Max e Safi, pois são reduzidos a apenas uma característica. Moses é apenas “o amigo” ao longo da história, assim como Loretta é a “aluna enxerida”, Lucas é o “escritor presunçoso” e Amanda e Vinh são o “interesse amoroso”.

Gameplay sem emoção

A franquia Life Is Strange sempre foi conhecida por suas narrativas e não pela gameplay. É evidente que Double Exposure melhorou de maneira significativa as mecânicas de jogo, mas a falta de ritmo nas fases torna tudo muito monótono e desinteressante.

Enquanto o primeiro jogo nos colocava em situações de tentativa e erro até que conseguíssemos prosseguir ou tomar decisões para decidir o rumo da jornada, aqui os objetivos se resumem a “pegue isso no outro mundo e volte” ou “vá para a realidade B para bisbilhotar na conversa da realidade A”. Depois de um capítulo inteiro repetindo essas ações, não é surpresa que nossa motivação para continuar reduz drasticamente.

Life Is Strange: Double Exposure mais parece uma colcha de retalhos do que um jogo | Review Life Is Strange: Double Exposure

A situação piora no capítulo final quando a estrutura da fase se torna uma cópia descarada da sequência de pesadelo do Life Is Strange original, fazendo com que revisitemos todos os cenários já utilizados, só que agora com detalhes perturbadores (ou, pelo menos, deveriam ser).

O futuro da franquia

Life Is Strange nunca se importou em fazer sequel bait (o famoso “gancho”), pois as histórias de cada jogo tinham finais bastantes definitivos. Porém, os desenvolvedores de Double Exposure decidiram que esse jogo seria o candidato perfeito para iniciar um universo compartilhado, ao estilo dos filmes da Marvel. Péssima ideia!

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Após ver o tamanho desrespeito que a Deck Nine teve com Max Caufield, com o jogo original e até mesmo com os novos personagens que criaram para este título, a última coisa que qualquer fã gostaria de ver é uma sequência. E como se não bastasse, a narrativa indica que o futuro pode ser mais parecido com X-Men do que com Life Is Strange.

Life Is Strange: Double Exposure tenta fazer muito e se perde no básico | Review Life Is Strange: Double Exposure

A franquia merecia uma sequência muito melhor, mais respeitosa e muito mais intimista do que Double Exposure foi. Tudo que o novo título fez foi me decepcionar e me deixar preocupado com o futuro da franquia, o qual parece decido a ser tudo, menos Life Is Strange.

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