Em 2025 é quase certo que, se um videogame for bem sucedido em termos de público e crítica ou se houver um grande incentivo financeiro por parte do estúdio, tal jogo terá uma adaptação cinematográfica. Um Filme Minecraft não foi diferente, se aproveitando do sucesso do jogo e do amor do público para produzir uma nova adaptação de videogame.

O problema é que Um Filme Minecraft regressa aos tempos de péssimas adaptações de jogos para o cinema. O filme confia excessivamente no timing cômico dos atores Jack Black e Jason Momoa e nas referências ao jogo, deixando de lado a construção coesa de narrativa. Não só isso, mas o roteiro parece subestimar a inteligência do espectador ao explicar cenas e conceitos repetidas vezes.

Pôster de divulgação de Um Filme Minecraft | Crítica Um Filme Minecraft

Em contrapartida, o filme não decepciona em um aspecto: os efeitos especiais. Aqui, a mistura de seres de CGI feitos de blocos e atores reais é convincente, fazendo o público acreditar que o elenco realmente caiu naquele mundo fantástico de Minecraft.

Algum humor e nada de história

Seria impossível imaginar Um Filme Minecraft sendo outra coisa além de uma comédia para o público infantil. A questão é que o filme mergulha tanto na “farofa” que é aquele mundo que esquece de contar uma história envolvente tanto para os fãs quanto para o público médio de cinema.

O filme começa com Steve (Jack Black) contanto como foi parar no mundo de Minecraft e como criou laços com aqueles seres cúbicos, até um mal surgir para ameaçar a paz. Isso por si só poderia ser a trama do longa, mas logo em seguida somos apresentados a personagens vazios do mundo real e uma caricatura de Jason Momoa que são puxados (literalmente) para uma aventura em outro mundo.

Depois disso, o filme se resume a uma história genérica de bem contra o mal, um amontoado de piadas sem graça – quase todas protagonizadas por Black e Momoa – e diálogos artificiais sem profundidade alguma. Os personagens também carecem de profundidade, principalmente o protagonista Henry(Sebastian Eugene Hansen), o que cria um forte sentimento de desinteresse.

Os personagens não crescem ao longo do filme | Crítica Um Filme Minecraft

Tal situação é ainda mais exacerbada com as personagens das atrizes Danielle Brooks e Emma Myers. Ambas as personagens têm uma participação tão pequena na trama e têm tão pouco desenvolvimento que não fariam falta alguma se não estivessem no filme. E isso é decepcionante quando consideramos o talento das duas artistas.

Além disso, o longa sofre de constantes momentos de exposição, com Steve e a vilã Malgosha explicando e repetindo certos conceitos de mundo a cada cena em que aparecem. E não para por aí, também há vezes em que os personagens se dão ao trabalho de explicar o que está acontecendo em cena, como se o público não fosse capaz de entender o que está vendo.

Um mundo de referências

Referências não são nenhuma novidade no meio audiovisual e, ao trazer o mundo de Minecraft para o cinema, muitas dessas referências obviamente teriam que ser colocadas em cena. Entretanto, o filme parece se prestar apenas a mostrar o máximo de elementos populares no jogo e pronunciar em alto e bom tom nomes característicos.

O longa escolhe focar em Momoa e Black em detrimento de outros personagens | Crítica Um Filme Minecraft

Como visto em vídeos de reação na internet, o público se empolga em níveis descomunais a cada referência jogada na tela, o que não é em si algo ruim. Porém, as referências são a única coisa que o filme tem a oferecer, além dos efeitos visuais e criaturas de CGI muito bem feitas.

O problema é que há um grande vazio onde deveria existir um filme, o qual é visivelmente preenchido por tais referências e piadas sem graça. Até mesmo Steve é uma enorme referência – já que foi o “garoto-propaganda” original do jogo –, mas para por aí, pois o personagem se resume a uma caricatura de seu intérprete, Jack Black.

Mais sorte na próxima

O sucesso de Um Filme Minecraft é inegável, tendo ultrapassado a marca de US$ 200 milhões nas bilheterias estadunidenses neste sábado (12), mas é perceptível como o filme carece de qualquer tipo de carinho e identidade.

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Sim, o longa é visualmente fiel ao material original, mas isso não é suficiente. A fidelidade e essência são elementos importantes quando falamos de adaptações para o cinema, mas um filme não deveria se estruturar apenas nos elementos visuais icônicos do material base.

As personagens de Danielle Brooks e Emma Myers são totalmente descartáveis para a trama geral | Crítica Um Filme Minecraft

Em síntese, Um Filme Minecraft é uma lição de como não fazer um filme, pois é basicamente um grande anúncio para o jogo ao mesmo tempo que subestima a inteligência do espectador. Para a sequência, os roteiristas e o diretor Jared Hess deveriam se preocupar em criar uma história e personagens realmente envolventes e, acima de tudo, reduzir as cenas expositivas e explicações desnecessárias.

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