Histórias sobre amadurecimento são uma das mais manjadas no mundo do entretenimento, mas são bastante elogiadas quando bem-feitas. A Ilha Esquecida, novo filme da DreamWorks Animation, não busca reinventar as histórias de amadurecimento, mas traz bastante coração ao contar a jornada de Jo e Raissa em direção ao desconhecido.

E para entregar uma jornada tão emocionante, a cantora H.E.R. e a atriz Liza Soberano precisaram se reconectar com as jovens adultas que foram um dia para transmitir todas as ansiedades adolescentes, os impulsos de esperança e o amor incondicional para encarnar as protagonistas.
Além de um bom roteiro e boas atuações, o longa ainda conta com uma ótima animação e direção de arte que enchem os olhos dos espectadores rapidamente, remetendo ao excelente trabalho dos diretores Joel Crawford e Januel Mercado em Gato de Botas 2: O Último Pedido, de 2022.
A clássica transição
A transição para a vida adulta é uma grande incerteza para todo adolescente. A rotina, o ambiente, as amizades e a relação com os familiares inevitavelmente mudam quando se deixa de ser adolescente e isso assusta os jovens. Alguns até entram em pânico só de pensar em tudo isso.
Aqui, Jo teme o futuro e o que será dela quando seus amigos e família partirem e, assim, passa seus dias agindo com a impulsividade e paciência de uma adolescente. Enquanto isso, sua melhor amiga, a Raissa, está pronta para dar o próximo passo e fazer faculdade no exterior.

Esses conflitos de ideais acabam se chocando quando ambas são levadas para a ilha mística de Nakali, um local de criaturas mágicas muito importante para a avó de Jo. Apesar de todo misticismo, Nakali acaba sendo uma grande metáfora sobre a jornada pessoal das protagonistas, algo que torna a aventura muito mais complexa e emocional.
Conforme a história segue, fica evidente como cada momento que passam na ilha, cada vilarejo e região servem de aprendizado para as jovens. Não só isso, mas os habitantes também atuam como metáforas para diversos aspectos das vidas dos adolescentes, como a dificuldade de se separar rede de segurança da infância, da necessidade de atenção e amor de terceiros e a coragem (ou não) de enfrentar figuras de autoridade.
E, apesar do amadurecimento ser uma forte temática, a mais importante lição para Jo e Raissa durante a aventura é sobre memórias. Ao conhecerem Batiba e enfrentarem Manang, o filme faz um bom trabalho em mostrar a importância de manter vivas as lembranças da juventude mesmo depois de adulto.
Um banquete para os olhos
Como dito anteriormente, os diretores Joel Crawford e Januel Mercado não são estranhos a aventuras frenéticas e com visuais vibrantes, e isso não muda em A Ilha Esquecida.
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Desde antes da viagem à ilha de Nakali, o longa já apresenta uma direção de arte linda, com cenários em tons de azul, laranja e verde. Isso tanto traz vida e empolgação para a aventura quanto sentimentos de nostalgia de um período de vida que sequer notamos se esvair.
Semelhante ao seu predecessor, o já mencionado Gato de Botas 2, tanto a arte quanto as animações em si enriquecem a aventura de uma maneira quase que inigualável.
Trilha jovem
Vale também destacar a trilha sonora. Para prender a atenção das crianças e pré-adolescentes, o filme aposta em músicas pop recentes, mas que combinam muito bem com as cenas.

Não houve nenhum momento em que as músicas licenciadas ou a trilha sonora original destoavam das situações, fossem elas mais dramáticas, alegres ou tensas.
Nostalgia de crescer
A Ilha Esquecida não conta a história mais inovadora dos cinemas, muito pelo contrário, mas traz bastante carisma e emoção quando conta a jornada de Jo e Raissa. Percebe-se que não há medo ou vergonha em mostrar o lado mais vulnerável das protagonistas em meio a uma aventura colorida e descontraída, o que dá uma profundidade diferente a toda jornada.

Devido às suas complexidades envoltas em uma inocência infantil, o filme facilmente agrada adultos e crianças, mas toca em assuntos que adultos podem se identificar mais rapidamente, como saudade, luto e nostalgia.
Mas, seja com filhos ou sozinho, A Ilha Esquecida proporciona uma aventura agridoce e emocionante em diversos momentos, além de uma maravilhosa animação e direção de arte, a qual vale a pena ser assistida.





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